Deputado diz que polícia mineira é ineficiente na investigação do desaparecimento de pessoas

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, deputado Durval Ângelo (PT), fez duras críticas à atuação da Polícia Civil de Minas, ao comentar a possibilidade de que um corpo enterrado como indigente seja da estudante de Direito Natália Cristina Almeida Paiva, desaparecida em 7 de outubro. O corpo foi exumando nesta terça-feira (09/02) e a polícia trabalha com a hipótese de que possa ser mais uma vítima do serial killer que assassinou três mulheres nas regiões do Barreiro e do Bairro Industrial, em Contagem. Parentes de Natália reconheceram como sendo da estudante as roupas do corpo exumado, que havia sido enterrado em um cemitério de Ribeirão das Neves, em 28 de janeiro, como indigente.

Na avaliação do deputado Durval Ângelo, se for comprovado que, de fato, o corpo é de Natália, será a prova maior da ineficiência da Polícia mineira nas investigações de desaparecimentos de pessoas. “O ocorrido comprova que não há qualquer cruzamento das investigação sobre as pessoas dadas como desaparecidas e dos homicídios cujas vítimas não foram identificadas. Deveria, necessariamente, haver uma centralização das ocorrências desta natureza na Delegacia da Pessoa Desaparecida, pelo menos nos casos da região Metropolitana”.

O deputado ressalta que a demora da polícia em relacionar os corpos não identificados com pessoas desaparecidas pode causar imensos prejuízos à investigação de assassinatos, uma vez que pistas importantes já teriam se perdido. Lembra, ainda, que a lacuna é maior no interior do Estado, onde, na maioria das cidades, não há necrotério para manter os corpos até serem identificados. “A polícia deveria montar uma estratégia de atuação para estes casos. Quantas vítimas de homicídios investigados pela polícia não são enterradas como indigentes, ficando o caso sem solução. Estes corpos deveriam, antes de enterrados, ser fotografados e as fotos colocadas no sistema da polícia, bem como distribuídas às delegacias da Região”, sugere Durval Ângelo.

O deputado ressaltou que o problema não é novo. Segundo ele, a Comissão de Direitos Humanos já havia apontado ineficiência da Polícia quando, há cerca de oito anos, discutiu o desaparecimento de 42 mulheres na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na época, os parlamentares constataram que os casos de desaparecimentos praticamente não eram investigados, sendo registrados separadamente nas diversas delegacias dos municípios. A Comissão sugeriu que as investigações de todos os casos de desaparecidos da Região Metropolitana fossem unificadas na Delegacia da Pessoa Desaparecida, em Belo Horizonte, o que foi determinado pela direção da Polícia Civil.

“Essa unificação foi um avanço, mas ainda há graves falhas. É responsabilidade do governo do Estado, e deve ser uma política pública prioritária do Executivo, a criação, de fato, de uma metodologia científica de investigação do desaparecimento de pessoas, interligada à investigação de crimes como homicídios, sequestros, cárcere privado, etc. Mais do que isso, é preciso dar infraestrutura para que a polícia possa atuar de forma profissional e eficiente, com bons salários, equipamentos de última geração, treinamento e quadro de pessoal que atenda às demandas da segurança pública”, conclui o deputado.






 

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