Ponto a Ponto - Edição 635 - 04 a 10/02/2011

No meio do caminho

Pela primeira vez as eleições em Contagem vão ter um novo ingrediente. É a presença no cenário do Governo de Coalizão. Anunciada após a vitória da prefeita Marília Campos em 2008, trata-se de uma forma de administrar que inclui os Partidos que fazem parte da base de sustentação. Assim, quem aderiu ao projeto teve como participar dele, ainda que o tivesse combatido eleitoralmente anteriormente.

Todos por um
A Coalizão trouxe para o Governo, o ex-vereador Jander Filaretti (PV), que tinha sido candidato a vice-prefeito na chapa com o deputado estadual Carlin Moura (PCdoB). Durante o seu mandato na Câmara Municipal, ele foi opositor ferrenho da gestão petista. Tornou-se Secretário de Meio Ambiente e próximo ao deputado estadual Durval Ângelo, petista que está na linha de frente da sucessão local.

Espaços ocupados
Das hostes oposicionistas também saiu o PSB de Léo Antunes e José Carlos, e o PTB de Paulo Mattos, que deixou o Partido para apoiar Marília no segundo turno de 2008. Léo e Paulo estão até hoje à frente das Secretarias de Desenvolvimento Econômico e Defesa Social, respectivamente. O PMDB também aderiu, indicando Maria Lúcia Guedes para a Secretaria de Trabalho e Geração de Renda. Até o PSDC, que tinha fornecido o vice para a candidatura de Ademir Lucas (PSDB), chegou a participar de algumas das reuniões do Governo de Coalizão, representado por Alessandro Marques, seu presidente estadual.

Novas posições
O deputado estadual Carlin Moura (PCdoB), terceiro colocado no pleito de 2008, também apoiou a reeleição de Marília. Em troca ganhou o comando da Secretaria de Esportes e Lazer, criada sob medida para o Partido e dirigida pelo jovem Albert Plucky. E a Regional Industrial, que tem no comando José Rodrigues, um antigo do quadro partidário.

Outros rumos
Após a votação surpreendente de Carlin Moura, que o tornou deputado estadual majoritário na cidade, o PCdoB está convencido de que o melhor caminho é repetir a empreitada de 2008 e lançar novamente o comunista como candidato a prefeito. Convidados a ceder o vice em uma eventual chapa petista, os dirigentes do Partido declinaram. Esta é a vez do PCdoB, acreditam. Segundo turno é outra história afirmam, com a convicção de que eles podem estar lá, em um dos lados.

Hora da colheita
No xadrez político, longe ainda da definição final das convenções partidárias que acontecem até o final de junho de 2012, a expectativa é quanto a capacidade da prefeita Marília Campos de capitalizar os frutos do Governo de Coalizão que criou, evitando que ocorra uma debandada geral dos Partidos que hoje a apóiam. A saída do PCdoB e do PMDB, no momento de lançar candidaturas próprias, parece inevitável. Os demais Partidos observam os cenários propostos, de lupa nas mãos.

Posições do PT
Majoritário no Governo, o Partido dos Trabalhadores de Contagem terá candidatura própria à sucessão de Marília. Não existe chance, nem razão, do PT abrir mão de liderar a cabeça da chapa. Até junho, se mantido o calendário inicial, deve sair a decisão sobre quem é o escolhido. Até agora são quatro os pretendentes: o deputado estadual Durval Ângelo, o secretário de Governo de Contagem, Paulo César Funghi, o vereador Kawlpter Prates e o ex-presidente da CeasaMinas, Amarildo de Oliveira.

Mais um?
O vereador Obelino Marques ainda não definiu se coloca o nome na disputa interna. Ele esteve afastado das discussões recentes por causa de uma cirurgia que o deixou no estaleiro e evitou inclusive a sua presença na votação da presidência da Câmara Municipal, quando seu colega Kawlpter Prates contava com o seu voto. A coisa foi feia e a recuperação é lenta, mas o parlamentar já está de volta e se movimenta.

Torre de Babel
A discrepância entre diferentes instâncias partidárias não é novidade. Veja a situação do PV. A direção municipal conversa com a prefeita Marília Campos e jura fidelidade ao Governo do qual participa. Entretanto, na mídia grande o deputado federal Antônio Roberto (PV) diz que pode disputar as eleições de 2012 em Contagem. Ao que parece, sem nenhuma sintonia com o PV local, que passa em breve a ser presidido pelo professor Wagner Donato.

O preço da escolha
Ademir Lucas é o único nome do PSDB de Contagem para se lançar de forma competitiva a uma disputa eleitoral. E o deputado federal eleito Newton Cardoso (PMDB), embora sempre cotado para a sucessão, não deve se lançar em nenhuma aventura. Velhos líderes, de estilo populista, não deixam ninguém crescer a sua sombra. E fiéis às suas trajetórias, não deixam herdeiros para suas carreiras políticas. Lucas percebeu isso e abandonou o seu mentor ainda cedo. Mas copiou Newton, e adotou a postura do eu sozinho, origem e fim de um PSDB municipal sem brilho próprio.

Reflexão

Nestes tempos de costuras políticas, vale lembrar o dito popular: apressado come cru.
Traduzindo: nem sempre fazer as coisas apressadamente dá bom resultado. Na verdade, quando a expressão surgiu no Brasil (fins do século XIX), não era bem "cru" que queria dizer. Na época as pessoas, como não tinham nem carro nem motéis, faziam amor em pé, nas ruas. E, na pressa, nem sempre se acertava o buraco certo. Boa semana e até breve.



 

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