Justiça aceita confrontar sangue achado em apartamento com o de casal Nardoni

Mastrângelo Reino/07.mai.08/Folha Imagem A Justiça de São Paulo aceitou parcialmente pedido da defesa de Alexandre Nardoni e de Anna Carolina Jatobá --acusados de matar a filha dele, Isabella Nardoni, 5,-- para que seja realizado um novo exame de DNA que confirme que o sangue encontrado no apartamento onde o crime ocorreu não é do casal.
Peritos do IML (Instituto Médico Legal), acompanhados da defesa e da Promotoria, irão coletar o material genético dos acusados nesta sexta-feira (6), nos presídios feminino e masculino de Tremembé (a 147 km de São Paulo), onde os acusados estão presos.
Apesar de ter aceitado a realização do exame genético, o juiz Maurício Fossen determinou que o material coletado --mucosa da parte interna da boca, fio de cabelo ou outro material compatível-- seja examinado pelo IC (Instituto de Criminalística), e não por peritos apontados pela defesa dos Nardoni, como pedia o advogado Roberto Podval, segundo o Ministério Público de São Paulo.
"Qualquer desconfiança que os Drs. Defensores dos réus possam ter no procedimento a ser adotado pelos Srs. Peritos do IC e do IML seria dissipada com o acesso que lhes foi garantido por este Juízo para acompanharem tanto a colheita do novo material genético, quanto no momento em que foram realizados os exames comparativos de laboratório", afirmou o juiz, em sua decisão.
A realização do exame de DNA foi solicitada por Podval para "provar que não é do casal" o sangue encontrado no apartamento, conforme revelado pela Folha em maio deste ano.
Na ocasião, Podval disse que não haviam sido coletadas amostras do sangue de Alexandre e de Anna para a comparação com o material colhido por peritos na cena do crime e que se encontra no IC --o que a Promotoria nega.
Para a acusação, porém, a realização do exame "não muda em nada" o processo, já que, segundo o promotor Francisco Cembranelli, a Promotoria nunca afirmou que o sangue encontrado no apartamento era do casal.

Reprodução
"Todo o sangue encontrado [no apartamento] era da Isabella. Nunca ninguém disse que era deles. Esse sangue que eles negam ter sido coletado só mostrou [durante as investigações] que a mancha encontrada em uma calça dela [da madrasta] era de Anna Carolina", disse o promotor à Folha Online.
"A contraprova nem deverá ser usada pela acusação. Essa é uma tentativa da defesa de encontrar alguma falha que desqualifique o trabalho da perícia e da acusação", afirmou.
Para a Justiça, a nova coleta de material genético tem como objetivo "compará-lo com o restante do material que ainda se encontra preservado perante àqueles órgãos públicos" e "visa exatamente dirimir quaisquer dúvidas a respeito da origem daquele material que lá se encontra".
A Folha Online ainda não conseguiu localizar o advogado do casal para comentar a realização do exame.

Foto DivulgaçãoCrime
A menina Isabella morreu no dia 29 de março de 2008, quando foi jogada do sexto andar do prédio onde moravam seu pai e sua madrasta, na zona norte de São Paulo.
Os desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiram que o casal deve ser levado a júri popular pelo crime.
O julgamento ainda não tem data definida, mas a expectativa da Justiça é que ocorra em 2010.
MARINA NOVAES - Folha Online 






 

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