Julgamento do "Maníaco do Industrial" pelo estupro e assassinato da comerciante Ana Carolina Assunção durou dez horas. Foi o primeiro julgamento referente aos 5 crimes praticados por TrigueiroO pintor Marcos Antunes Trigueiro, 32 anos, conhecido como “Maníaco do Industrial”, foi condenado nesta quarta-feira (30) a 34 anos e quatro meses de prisão, em regime fechado, pelo estupro e assassinato da comerciante Ana Carolina Menezes Assunção, 27 anos. Foi o primeiro julgamento referente aos cinco crimes praticados por Trigueiro contra mulheres na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), todos ocorridos no ano passado. Após dez horas de julgamento no 1º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, na capital, ele retornou à Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, onde já estava detido desde fevereiro.
Ainda nesta quinta (1º), o advogado de defesa do maníaco, Rodrigo Bizotto Randazzo, deve entrar com recurso contra a decisão do júri, alegando abusiva a pena aplicada contra seu cliente. “Vou anular tudo”, afirmou. A pena foi desmembrada da seguinte maneira: 23 anos por homicídio, nove anos e quatro meses por estupro, dois anos pelo furto do celular da vítima, além de sete meses de detenção por Trigueiro ter exposto o filho de Ana Carolina ao perigo. O corpo da comerciante foi encontrado pela polícia horas após o crime, dentro do carro. O filho dela, então com 1 ano, estava sobre ela.
Durante sua explanação, que durou uma hora e meia, no tempo normal, e depois mais 30 minutos na tréplica, Randazzo argumentou que Trigueiro é semi-imputável, ou seja, incapaz de assumir todos seus atos. Ele tentou desqualificar o crime de homicídio seguido de furto. “No caso do celular, temos que aplicar aqui o princípio da insignificância”, alegou.
Durante os 35 minutos que foi interrogado pelo juiz, Trigueiro entrou em contradição por diversas vezes. Por isso, a estratégia da defesa de convencer o júri de que o réu precisaria de tratamento psiquiátrico foi facilmente desarticulada pela promotoria. O maníaco chegou a se dizer arrependido e que “se pudesse voltar o tempo, não faria isso de novo”. O promotor Paulo Roberto dos Santos Romero usou a afirmação para convencer os jurados de que Trigueiro tinha, sim, condições de discernimento.
A sessão começou às 9h10, 40 minutos depois do horário marcado para o início dos trabalhos. O motivo do atraso, de acordo com o presidente do I Tribunal de Júri, Carlos Henrique Perpétuo Braga, foi o forte esquema de segurança montado para a passagem de Trigueiro. Ele chegou ao fórum escoltado por quatro carros da Polícia Militar e dois do sistema prisional. No salão do júri, permaneceu ao lado de três militares. Outros dois reforçaram a segurança da Casa.Vestido com blusa verde, calça jeans e um tênis vermelho, Trigueiro ficou praticamente o tempo todo de cabeça baixa, calado e balançando o pé esquerdo. Por alguns momentos, olhou para os familiares de Ana Carolina. Quando o promotor Romero o chamou de “Marquinhos”, esboçou um sorriso.
Durante o interrogatório, o réu voltou a confessar a morte de Ana Carolina. Por outro lado, surpreendeu a todos ao negar o assassinato das outras quatro mulheres, embora já tivesse, durante as investigações da polícia, assumido os crimes. “Ela (a comerciante) foi a primeira e única vítima”, afirmou.
Outro ponto contraditório foi quando disse não se recordar de como matou Ana Carolina. No entanto, em depoimento à polícia, contou que, terminado o ato sexual, tirou o cadarço do tênis e a estrangulou. Ao relembrar o que aconteceu no dia do assassinato, Trigueiro contou ter abordado a comerciante simulando um assalto. “Falei para ela conduzir o carro. Não vi que tinha uma criança”, disse.
Euzana Menezes, mãe da comerciante, ouviu o veredicto chorando muito. Para ela, a justiça foi feita, mas fez ressalvas. “Meu desejo é que ele ficasse preso para o resto da vida”. Já Trigueiro não demonstrou reação à sentença. Permaneceu calado, como se já soubesse o que o esperava.
O pai da jovem esteve no Fórum Lafayette no início do julgamento, mas, muito abalado, não conseguiu permanecer no local e foi embora. Cerca de 450 pessoas acompanharam o julgamento, que, devido a materialidade comprovada do crime, não precisou dos depoimentos das testemunhas. “Ele é um monstro, um traste”, declarou o promotor Paulo Romero.
Outros crimes atribuídos ao maníaco
Estupro e morte
26/01/2009: Feitor Porto, 34, comerciante
07/10/2009: Cristina de Almeida Paiva, 27, estudante
11/11/2009: Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, 35, contadora
17/11/2009: Helena Aguiar, 48, empresária
Mais casos
2003: Suspeito de matar um tio. O maníaco estaria interessado em uma indenização
2004: Suspeito de envolvimento na morte de um taxista durante um assalto
2005: Suspeito de assassinar a então enteada, uma criança de 3 meses
Fonte: Hoje em dia
|




