Na manhã em que a Central de Abastecimento de Minas Gerais (CeasaMinas) inaugurava sua unidade de segurança, em Contagem, na Grande Belo Horizonte, o assassinato de uma comerciante que chegava ao local para fazer compras chocou os trabalhadores do lugar.Rosângela Sodré Vieira, 38, foi morta com um tiro quando tentou evitar que um homem, armado, levasse a bolsa onde ela guardava o dinheiro que seria usado para pagar fornecedores. Segundo a polícia, na sacola tinham cerca de R$ 8.000. Até ontem à noite, o ladrão, que fugiu com a bolsa não havia sido capturado. Segundo a polícia, o assaltante contou com a ajuda de um comparsa. Os dois fugiram em uma moto preta. A polícia vai analisar as imagens feitas pelo circuito de segurança da Ceasa para tentar identificar os criminosos.
Rosângela era dona de um sacolão em Raposos, também na região metropolitana, e conforme testemunhas, ia semanalmente à Ceasa para fazer compras. Ela sempre levava dinheiro vivo. "Sempre paramos no mesmo lugar. Não houve tempo. Encostei o caminhão e ele (assaltante) chegou", contou o caminhoneiro e amigo da vítima, José Martins Cunha, 56, que acompanhava a comerciante nas compras.
O caminhoneiro testemunhou o crime e disse que o assaltante, um homem moreno e magro, aparentando 24 anos, colocou os braços no pescoço de Rosângela e a ameaçou. "Ele exigiu a bolsa. Ela não quis entregar e gritou por socorro", relembrou. Cunha contou ainda que tentou entregar a própria bolsa, mas o assaltante demonstrou que sabia que o dinheiro estava com a comerciante. "Abaixei para pegar a minha olhando para ele. Nessa hora, o ladrão colocou a arma no meu peito e mandou eu pular para fora, senão tomaria um tiro. Saí do caminhão gritando e me joguei no chão". Foi nesse momento que o caminhoneiro ouviu o disparo que acertou a cabeça da comerciante.
Segundo o sargento Edinaldo Santa Rosa, a partir do depoimento do caminhoneiro, a suspeita de que o ladrão sabia dos hábitos da comerciante se fortaleceu. "Alguém deve ter passado informação ao criminoso. Ela (Rosângela) estava aqui toda semana", disse.
O diretor financeiro da Ceasa, Márcio Cunha, confirmou que a ação criminosa foi filmada. "A filmagem já foi entregue à polícia".
Segundo o diretor, o reforço da segurança tem sido feito desde fevereiro do ano passado, quando o projeto de instalação da central de segurança começou a ser executado. Ainda segundo Cunha, foram investidos R$ 684 mil na central.
Os vendedores do Mercado Livre do Produtor (MLP), no entanto, reclamam de falhas. Para o produtor rural, Pedro Costa, 54, há seguranças em número suficiente, mas em locais errados. "Ficam vários aqui no corredor. Deveriam ficar lá, percorrendo o estacionamento. Márcio Cunha afirmou que a sugestão dos produtores será levada em consideração.
Providências: Banco deverá reduzir circulação de dinheiro
A nova estrutura de segurança foi planejada para monitorar e proteger um contingente de cerca de 70 mil pessoas e quase 16 mil veículos que circulam diariamente pela CeasaMinas, em Contagem. No local, há sete bancos e um volume grande de dinheiro circulando. Entre os produtores e fornecedores, é comum a negociação com dinheiro vivo.
O diretor financeiro, Márcio Cunha, informou ontem que além da central inaugurada ontem, está prevista a criação de um Banco Popular em parceria com o Banco do Brasil para atender os produtores rurais. “Esperamos inaugurar em abril, para modernizar a forma de pagamento e diminuir o volume de dinheiro nas transações”.
A central de segurança é composta por um prédio com área de 473 m², onde há uma sala com um equipamento em que permite visualizar 16 imagens ao mesmo tempo. Além do prédio, há 32 câmeras instaladas pela Ceasa, mas está prevista a ampliação para o dobro em quatro meses. O projeto de monitoramento por câmeras, que se chama Olho Vivo, será complementado pelo trabalho de uma empresa terceirizada e pela Polícia Militar. (VHF/JH)
Crime repercute em Raposos
Ainda nas primeiras horas da manhã de ontem, moradores de Raposos recebiam a notícia da morte da comerciante. O vice-prefeito, Nelcio Duarte Neves, 56, que esteve na Ceasa, contou que Rosângela era muita popular na cidade. “Ela era muito conhecida. Uma pessoa trabalhadora”.
Elismar Vieira, 29, irmã da comerciante, não acreditar na versão de reação ao assalto. “A Rosinha sempre nos aconselhou que era para deixar o ladrão levar tudo. Talvez no nervosismo, ela tenha tentado se defender e o assaltante acabou atirando”, disse. (VHF)
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