Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
Bel. Direito
Eis que todas as máximas de domínio público deveriam ser respeitadas. Sobre a de que não se deve elogiar os políticos, todos precisariam tomar muito cuidado. Os novos sempre passam uma impressão de mudança. Logo mais à frente mostram ser iguais às raposas do passado. Foi assim com Antony Garotinho, no Rio de Janeiro, com sua esposa e, mais recente, com o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Quando começou, o novo prefeito parecia diferente. Fazia-se presente em alguns órgãos públicos, cobrava publicamente ações e resultados dos seus subordinados, fez acontecer. Tanto que até exagerou e deu uns safanões num senhor que reclamava num posto de saúde. Desculpou-se, como manda a regra de sobrevivência na política.
Limpar São Paulo tornou-se o tema central de sua administração. Aprovou a lei 14223, que parecia mais uma para o rol daquelas que não saem do papel, uma triste praxe brasileira, e que fazem a máxima de que tem lei que pega e lei que não pega.
Não foi o que ocorreu. Essa lei estabelece regras rígidas com vistas a diminuir o tamanho dos anúncios nas fachadas com o objetivo de valorizar a arquitetura frontal dos imóveis. Gerou muito barulho e reclamações de camelôs, de comerciantes e até de moradores, sob a alegação principal de que ficaria muito difícil a identificação das lojas e prejudicava a divulgação de produtos. A postura firme, efetiva, na aplicação da lei mostrou a sua eficácia e logo virou quase unanimidade a sua aprovação. Culminou com a reeleição do prefeito. Daí por diante...
Sumiram os fiscais, desapareceu o prefeito, voltaram os anúncios de shows musicais nos tapumes, e o lixo voltou às ruas. São Paulo, que parecia caminhar para um padrão de limpeza, conforto e aparência civilizados, desmoronou. A sujeira voltou como dantes, coroada com a diminuição da varrição, sem a contrapartida de um trabalho que oriente, acompanhe e, principalmente, puna os moradores que não mantiverem seus imóveis limpos, como deveria ser. A sujeira é total e em toda a cidade.
Quem leu um artigo meu intitulado de São Paulo como exemplo, continue a considerá-lo, mas agora como o exemplo que não deve ser seguido. Essa cidade tornou-se um lixão a céu aberto. A administração do prefeito Gilberto Kassab ruiu, afundou-se.
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