Os resultados concernentes ao desempenho educativo do Plano Nacional de Educação, em seu primeiro decênio, ainda continuam insatisfatórios na grande maioria das escolas públicas dos municípios brasileiros.
Em 2001, quando foi instituído o aludido sistema educacional, o governo passado propalou abertamente “que até o final de 2009, não haveria mais analfabetos no país”. Mas isso não aconteceu, uma vez que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2008, o número de jovens e adultos analfabetos ultrapassou 19 milhões. Outrossim, é verdade que até aquele exercício, o Brasil ainda amargava o nono lugar no ranking de analfabetismo entre os países da América Latina e do Caribe.
Na mesma ocasião o governo FHC anunciou, também, “que todas as escolas de ensino infantil e fundamental do país, sem exceção, estariam funcionando, a partir de 2006, sob padrões europeus. Teriam sistema de segurança, mobiliário para crianças com necessidades especiais, visão para área externa, material pedagógico apropriado e espaço para a prática de esportes, entre outras melhorias”. Sabe-se também, que tais metas não se concretizaram satisfatoriamente até agora, visto que as melhorias conquistadas estão muito aquém das que foram anunciadas.
E para completar o festival de pretensões anunciadas, que não se concretizou, o ex-governante tucano FHC ainda presumiu: “que a partir de 2006, os professores de todos os estabelecimentos de ensino médio do país, teriam diploma de ensino superior”. Também foi outra previsão furada, pois, atualmente, a maior parte das escolas públicas do ensino médio, em funcionamento por todo este Brasil afora, continuam mantendo professores sem formação superior.
Agora, no final do 1° decenal do referido sistema educativo, compartilhado com a gestão do governo anterior, sem a obtenção dos resultados esperados, chegou a vez de perguntar a FHC e ao atual presidente LULA: quais são os principais óbices que ainda continuam empacando o bom desempenho para a maximização da melhoria educacional no país? (“o povo quer saber...”).
A primeira conclusão que se chega é, realmente, a necessidade de impor critérios de meritocracia no universo educacional, como os que foram bem definidos pelo Sr. Hélio Gurovitz – diretor de redação da Revista ÉPOCA – (edição n°.623 de 26/04/2010), quando, comentando sobre a excelente reportagem de Camila Guimarães “OS SEGREDOS DOS BONS PROFESSORES”, ressaltou que “é preciso premiar os professores competentes e punir – se necessário com a demissão – os incompetentes.” Também acrescentou “que não é difícil fazer isso, basta verificar quem são aqueles cujos alunos se dão melhor nos exames nacionais que medem a qualidade do aprendizado”.
O mencionado redator disse ainda que “é essencial que o Brasil consiga resistir às pressões de sindicatos e grupos de interesses que dependem da manutenção de statu quo e implementem em escala nacional medidas que permitam dar mais aos melhores professores – e menos aos piores. Afirmou também que “se conseguir fazer apenas isso, o próximo Presidente da República acabará reconhecido, sem exagero, como o melhor da história do Brasil”.
Pelo visto, foram muitos os desacertos conjunturais que, desde os tempos remotos, atrasaram o desenvolvimento nacional. Dentre eles, destaca-se o descaso à educação de massa que permaneceu inerte por mais de 400 anos. Consequentemente, a maioria da população brasileira ainda padece de seqüelas geradas por esse e outros malefícios hereditários causados pela intelijumência dos governantes. Entre eles, aqueles que continuaram cultivando mentalidades seculares de regimes arcaicos e malvados. Os quais, mesmo depois de extintos permaneceram de forma disfarçada, quando usavam e abusavam dos velhos hábitos imperialistas que originaram, não só a deseducação e o subdesenvolvimento, mas também as desigualdades sociais e raciais, ainda presentes em todos os municípios brasileiros.
Nada de pessimismo. Mas, ainda considero preocupante a atual situação do Brasil, frente a uma população que se aproxima de 200 milhões de habitantes. Lastimável, também, é saber que a grande maioria dessa gente encontra-se despreparada, sem a necessária qualificação, para enfrentar os diversos desafios da modernização, científica e tecnológica, implementada e impulsionada no mundo inteiro pelas constantes mudanças e transformações. Nesse ínterim, é quando a competência – que nem metal precioso – vale o quanto pesa no crescente mercado de trabalho, cada vez mais exigente, em todos os segmentos.
Na mídia, principalmente nos grandes jornais de ampla circulação nacional, é comum deparar-se com anúncios de empresas da iniciativa privada a procura de executivos e outros especialistas dos diversos segmentos. Aos quais são oferecidos salários de 20, 30 e até 60 mil reais mensais, além de outras vantagens. Mas mesmo assim “esse cabedal precioso” é muito difícil ser encontrado no Brasil. Os que existem já se encontram ocupados e cheios de propostas vantajosas de outras instituições congêneres.
Tomara que seja só agouro. Mas, já está sendo previsto apagão de mão de obra qualificada para atender a demanda do setor produtivo dos diversos segmentos. Trata-se de mais um impasse para o Brasil investir pesado na educação, básica e profissional, d’agora em diante, para determinar o ritmo e a qualidade do crescimento da economia nacional nos próximos anos.
E, quando se trata de qualidade educacional e capacitação profissional, ministrada pelas escolas públicas, é oportuno lembrar que, antes é preciso investir alto na capacitação e valorização do professor, como peça chave para a formação do ser social. Não é por acaso que a educação de qualidade sempre foi a base para o desenvolvimento sustentável de qualquer nação.
Finalmente, por tudo que foi relatado, precisamos entender que não só os governantes, mas também a sociedade civil organizada precisam agir rápido na busca de solução para os problemas expostos, os quais são de cunho social e muito prejudiciais ao crescente desenvolvimento nacional. Por isto, não podemos perder mais tempo.
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