Em 2009, o Brasil alcançou a incrível marca de 1 milhão de mortes por homicídios, cifras que conferem ao Brasil a nada invejável posição de um dos paises mais violentos do mundo e, certamente o que totaliza maior número de mortes por homicídio em termos absolutos.
A violência é sempre considerada uma das mais sérias questões do Brasil. Afeta a vida de todos e manifesta resistência contra abordagens simplistas. Tratar da segurança pública se mostra um desafio que tem a idade e o tamanho do país. Parece sempre fácil fazer o diagnóstico e apontar os problemas. Avançar além dos números para chegar a realidade, no entanto, tem sido o esforço de pesquisadores, técnicos, policiais, operadores da justiça e até artistas, que buscam dar sua contribuição.
Muito se avançou na compreensão do fenômeno. Hoje, há consenso sobre a multiplicidade de fatores envolvidos na questão. Não bastam mais saídas como as que apontam a resolução do problema para um mágico crescimento econômico igualitário, que nunca chega. Nem tampouco a defesa de combater a violência com violência.
Os números são significativos: são muitas mortes, muitos detentos e, principalmente, muito medo. A luz parece vir de uma mudança no olhar. Para enfrentar a violência é preciso construir uma cultura de paz, com tudo o que ela implica.
Os melhores exemplos tem surgido nos locais que apostaram na cidadania e no humanismo. Violência e signo de desumanidade. Para romper sua ascensão é preciso que o homem esteja em primeiro lugar.
Violência é uma palavra genérica e vaga, que mistura fenômenos muito diferentes em um contexto que mais confunde que esclarece. Violenta é uma tempestade, mas também a injustiça social e a homofobia. Violentos são o racismo, a desigualdade no acesso à justiça e os homicídios, os latrocínios, os roubos. De todo modo, qualquer que seja a definição utilizada, o Brasil se destacaria como um dos paises mais violentos do mundo. Por outro lado, a brutalidade policial é das mais graves do mundo. Só as policias do Rio de Janeiro matam mais de mil pessoas por ano. Importante registrar que a imensa maioria das vitimas letais de crimes são jovens do sexo masculino, entre 15 e 24 anos, pobres e, frequentemente, negros.
Fala-se que parte da violência e da criminalidade é resultado de problemas sociais, como a desigualdade na distribuição de renda e a exclusão social. Nos últimos anos, cerca de 30 milhões de pessoas que estavam classificadas como pertencentes à classe “E” migraram para extratos sociais de melhor condição de renda. O curioso é que não percebemos reflexo algum dessa situação nos indicadores de violência e criminalidade.
Esse conjunto de informações me leva a crer que tendem a ser os jovens, mais vulneráveis, que vivem a depreciação da auto-estima e a falta de reconhecimento, valorização e afeto, assim como a ausência de perspectivas de integração ao mercado. Nesse caso atuam fatores distintos e convergentes: econômicos, familiares, intersubjetivos, culturais, sociais, educacionais.
Duro é pensar que a esquerda só pensa na economia, como se o crescimento bastasse para solucionar os problemas. A direita, estúpida e irracional, só postula endurecimento de penas e encarceramento.
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