Em meio aos graves atos de corrupção que graçam pelo país afora, o recente caso do vazamento das provas do Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM e que causou prejuízos a mais de quatro milhões de estudantes, que usariam suas notas para buscar uma vaga na universidade precisa ser investigado a fundo, com o resultado, seja ele qual for, informado à sociedade, juntamente com as providências tomadas.
Lamentavelmente, este fato pode ser apenas a ponta do iceberg da fragilidade encontrada no sistema - só descoberta porque os marginais procuraram a imprensa séria para "vender" a prova - que pode estar projetada também nos milhares de concursos que se realizam para cargos públicos, muitos deles de alta relevância e polpudos salários.
Muitos deles, inclusive, nem sequer chamam os aprovados e nem devolvem o dinheiro das inscrições quando cancelados por fraudes, o que é mais comum do que se possa pensar.
Somente este ano, mas de cinco milhões de brasileiros participam de certames para o preenchimento de 120 mil vagas, a maioria do governo federal. E quem garante que esses concursos são efetivamente, seguros, sérios e, principalmente, que os candidatos aprovados são, de fato, os mais preparados e que melhor desempenho tiveram nas provas?
Tornados obrigatórios e tidos como o meio de acabar com o tráfico de influência, os concursos fizeram surgir um gigantesco mercado onde atuam mais de 200 empresas, muitas delas inteiramente desconhecidas e pertencentes sabe-se lá a quem.
Toda vez que surge um concurso, é comum ouvir-se dizer que, mais do que selecionar candidatos, as provas têm por objetivo proporcionar lucro a tais empresas que, segundo a crença geral, têm como proprietários pessoas ligadas a políticos.
Há quem sustente, inclusive, que tais "vazamentos" são corriqueiros, visando beneficiar pessoas previamente escolhidas ou indicadas com o conhecimento antecipado das provas de concursos para importantes cargos e nos vestibulares das instituições mais concorridas do país. É só uma questão de raciocínio!
Claro, que não cabe generalizar e dizer que todas as instituições promotoras de concursos e vestibulares são corruptas, embora também não se possa afirmar o contrário. Ninguém tem a segurança para participar de uma prova - concurso ou vestibular - com a certeza de que não será enganado ou passado para trás. O ENEM expôs publicamente essa ferida que, vez ou outra inflama, mas nunca chegou a incomodar tanto como esta. Que tenha ocorrido em boa hora, pois a sociedade há muito espera que, mais que a punição dos envolvidos na fraude, haja a união de esforços para a montagem de um sistema que garanta a credibilidade dos concursos públicos, sejam eles para ingresso no funcionalismo ou na universidade.
Já passou da hora de se mostrar a cara e colocar atrás das grades, quem comanda os grandes esquemas de corrupção deste País. Com a palavra final, certamente estará o Supremo, que anda livrando a cara do pessoal do colarinho branco.



