Cuidados simples e hábitos saudáveis podem evitar doenças e acidentes com idosos

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Carlos Alberto/Imprensa MGPessoas da terceira idade são mais suscetíveis a quedas, queimaduras e atropelamentos, além de infartos e AVCs, mas é possível evitar e amenizar essas situações

Com o avanço do envelhecimento populacional, os problemas típicos da maturidade, naturalmente, também ganham maiores proporções. Situações inevitáveis nesta fase da vida, como a perda natural de equilíbrio e de força muscular, associada a uma multimedicação, e o agravamento de males comuns da terceira idade, como labirintite, hipertensão e problemas renais, contribuem para que acidentes diversos possam ocorrer com mais facilidade.

Por esses motivos, é importante cuidar da saúde desde cedo: alimentar-se de maneira saudável, com uma dieta à base de legumes, verduras, peixes, azeite, não fumar, evitar álcool, praticar atividades físicas e controlar as doenças já existentes é extremamente importante, principalmente para evitar infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

Quando se fala em exercícios, caminhadas e alongamentos são exercícios democráticos, que pessoas de qualquer faixa etária podem praticar, inclusive os mais idosos. Já as atividades em grupo estimulam a socialização e a integração dos participantes, o que diminui sentimentos de solidão e depressão. Esses cuidados e hábitos podem minimizar as dificuldades e os problemas da terceira idade.

Quedas

Leonor Pacheco, de 89 anos, sofreu há alguns anos uma grave queda durante uma crise de labirintite, quando descia as escadas na portaria do prédio onde morava. A dona de casa bateu a cabeça na mureta e desmaiou, mas foi levada de volta ao apartamento por vizinhos e quando acordou, recusou-se a ir ao hospital. Porém, ao se passarem cinco dias e a dor de cabeça permanecer, Eleonor foi ao médico, e após uma tomografia, foi constatado um coágulo no local. A idosa teve que passar por uma cirurgia de urgência, que foi bem sucedida. Hoje, ela não faz mais as atividades de antigamente: “Tenho muito medo de cair novamente, não saio caminhando mais por aí como antes. Costumava fazer as tarefas de casa, mas hoje só cozinho, que é algo que adoro”, conta Leonor.

Já o senhor João Balbino Filho, de 71 anos, foi atropelado na porta de casa ao sair para retirar o lixo. O idoso, que apresenta confusão mental e não se recorda do que aconteceu, teve fratura na perna direita, e escoriações na face e nos membros superiores. Segundo a irmã, Sérgia Balbino, o socorro chegou rápido e o motorista deu assistência: “Como ele mora sozinho, o atendimento que ele teve foi fundamental, ou ele não teria ninguém para ajudá-lo naquele momento”, afirma.

Quedas da própria altura são o principal motivo de acidentes com pessoas de mais idade, e 75% dos casos acontecem dentro de casa, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS). O número de idosos acima de 70 anos que chegam ao Hospital João XXIII, da Rede Fhemig, vítimas deste tipo de ocorrência, é alto. De janeiro a outubro de 2013, foram 927 casos, sendo 601 mulheres. Além disso, de acordo com pesquisas, no Brasil cerca de 30% dos idosos caem ao menos uma vez por ano, e destes, de 5% a 10% sofrem lesões severas.

De acordo com a gerente assistencial do HPS Vânia Tannure, os traumas mais comuns nestes casos são fraturas no fêmur, punho, tórax e traumatismo craniano, que podem desencadear em outras doenças, principalmente as respiratórias, como pneumonia e embolia pulmonar, pelo fato de o idoso ter que ficar imobilizado, sem poder se movimentar.

O que fazer

Caso a pessoa idosa sofra uma queda, o familiar ou acompanhante deve pedir que ela movimente os membros e verificar qualquer reclamação: “Se houver qualquer resposta positiva de dor, dificuldade de movimentação, dor no tórax, movimentação no pescoço, o idoso deve se manter deitado e aguardar pelo atendimento pré-hospitalar”, alerta a gerente assistencial do HJXXIII.

Cuidados simples em casa podem evitar acidentes. Algumas dicas importantes são manter poucos móveis dentro de casa, não usar tapete, não colocar objetos de uso diários em locais altos, instalar corrimãos nas escadas e evitar pisos escorregadios, especialmente nos banheiros.

Queimaduras

As queimaduras também são acidentes domésticos comuns entre idosos. Embora não seja determinada uma conduta específica para pessoas mais velhas que passem por esse tipo de situação, é sabido que os idosos que sofrem queimaduras necessitam cuidados especiais, já que seu sistema imunológico e sensibilidade já não são mais os mesmos de um adulto saudável, e doenças como diabetes dificultam a cicatrização.

Normalmente, segundo o neurologista do Hospital João XXIII Rodrigo Faleiro, queimaduras ocorrem por motivos clínicos como diminuição nos reflexos, artrose, e problemas na visão, como cataratas, que contribuem para que a pessoas de mais idade tenham dificuldades ao manusear panelas e outros utensílios de cozinha. A diminuição da sensibilidade para as temperaturas também facilita para que o idoso se queime quando bebe ou come algo quente.

O que fazer

Caso o idoso sofra uma queimadura de pequena extensão, é importante resfriar o local com água corrente. Seque o local com um pano limpo e cubra o ferimento com compressas de gaze. Mantenha a região queimada mais elevada que o resto do corpo, para evitar inchaços. É fundamental também a ingestão de bastante água para hidratação.  Não use nenhuma pomada ou produto doméstico na ferida. Em qualquer circunstância, chame o socorro.

Como prevenir:

·         Evite deixar isqueiros, fósforos e materiais inflamáveis ao alcance do idoso, principalmente se ele tiver alguma deficiência motora.

·          A água do chuveiro, assim como as bebidas e alimentos, deve estar em uma temperatura adequada (morna agradável).

·         Evite deixar o idoso manusear velas ou outros objetos que envolvam fogo ou substâncias explosivas.

·         Procure desligar o gás da cozinha após utilizá-lo.

Atropelamentos

O número de pacientes acima de 70 anos que chegam ao Hospital João XXIII vítimas de atropelamento também é considerável: em 2013, até outubro, foram 165 pessoas. Segundo o diretor de emergências do HPS Sílvio Grandinetti, a despeito da falta de educação dos motoristas no trânsito, muitas vezes este tipo de acidente ocorre em função de alterações fisiológicas dos idosos: “Nesta idade a pessoa tem uma perda auditiva e de visão, além de uma locomoção mais lenta, que pode até resultar em quedas”, explica. Tais condições, juntamente com a dificuldade de concentração, contribuem para que a pessoa não perceba os perigos que a rodeiam nas ruas, não escute buzinas e não enxergue bem as sinalizações e faixas de pedestres.

Nos idosos, as sequelas de atropelamentos acabam sendo mais graves, pela tendência a terem mais complicações de saúde, como osteoporose, que pode agravar simples fraturas, além de serem mais frágeis e estarem propensos a ferimentos mais sérios.

O que fazer

·         A vítima deve ser mantida imobilizada.

·         Afaste qualquer perigo de perto do acidentado.

·         Não ofereça líquidos, mesmo água, ou qualquer medicamento.

·         Cubra a vítima para manter sua temperatura estável.

·         Aguarde o socorro no local.

Como prevenir

·         Atravesse a rua sempre na faixa de pedestres. Quando houve passarela, use-a.

·         Sempre atravesse a via em linha reta, nunca faça “zigue-zague” entre carros.

·         Quando estiver andando na calçada, não fique muito próximo da via.

·         Obedeça a sinalização.

 

Além dos acidentes como quedas, queimaduras e atropelamentos, os idosos também estão mais suscetíveis a doenças como infartos e AVCs.

Infartos

Doenças cardiovasculares, juntamente com os acidentes vasculares cerebrais (AVCs), são as que mais matam no Brasil. Dos pacientes que enfartam, cerca de 1/3 morre durante o evento. Os infartos de miocárdio ocorrem pela presença da aterosclerose, que é o acúmulo de gordura ao longo dos anos nas artérias, impedindo a passagem do sangue: “Estas placas de gordura são basicamente compostas pelo colesterol LDL (ruim), que somadas a fatores inflamatórios, levam a problemas como o infarto”, explica a cardiologista Mariana Magalhães. Sem a irrigação do sangue, o coração fica sem receber nutrientes e oxigênio, o que causa a necrose de uma parte do músculo, levando ao infarto.

Os principais fatores de risco cardiovasculares são tabagismo, hipertensão, obesidade, diabetes, colesterol alto, sedentarismo, além da questão genética. Em pessoas mais velhas, as chances de estes fatores ocorrerem simultaneamente são grandes – acontece em mais de 80% dos idosos -, e ainda maiores nas mulheres. Os fatores mais prevalentes nesta faixa etária são a hipertensão e obesidade.

 Outro detalhe que faz com que nos idosos os infartos possam gerar consequências mais graves é a manifestação de sintomas atípicos, ou “silenciosos”, como mal estar, sensação de indigestão, cansaço, fraqueza, falta de sensibilidade em algum membro, e dores torácicas em “fisgada”, o que, segundo a cardiologista, retarda um tratamento precoce e eficaz. “Nos idosos, ainda se soma a isso a confusão mental”, diz Mariana.

O que fazer

Em caso de infarto grave, o tempo ideal de atendimento para evitar maiores danos é de 60 a 90 minutos – desse modo, há boas chances de que grande parte da musculatura afetada do coração possa ser recuperar. “Cada minuto após o evento é de extrema importância, o que leva a uma necessidade de atendimento emergencial, e por isso falamos em cardiologia que ‘tempo é músculo”, afirma Ricardo Simões, cardiologista e coordenador da Clínica Médica do Hospital Alberto Cavalcanti, da Rede Fhemig. Caso se passe mais de 6 horas da ocorrência do infarto, as células perdidas já não podem mais se regenerar.

Como prevenir:

·         Controlar o colesterol sanguíneo

·         Prevenir e controlar a hipertensão

·         Praticar exercícios regularmente

·         Não fumar

·         Adotar uma dieta saudável

·         Controlar o peso

·         Evitar álcool

AVC

O acidente vascular cerebral isquêmico (AVC), também conhecido como derrame cerebral, é a súbita interrupção do fornecimento de sangue a qualquer parte do cérebro, resultado da formação de um coágulo na parte interna de uma artéria. Normalmente, a causa mais relacionada com a doença é a hipertensão, comum em idosos, o que de certa forma justifica a sua ocorrência mais frequentemente em pessoas acima de 75 anos, com predominância do sexo masculino. O AVC também pode ser causado pelo rompimento de um vaso sanguíneo, causando hemorragia, o que ocorre na menor parte dos casos (cerca de 20%).

O AVC é déficit neurológico súbito, que representa uma grave ameaça para idosos, já que a idade avançada e os problemas atrelados a ela são fatores de risco para a doença. Sua característica principal é causar à vítima uma perda súbita de função. “A pessoa pode perder de repente a força de um lado do corpo ou ter uma alteração na fala. Alguns podem ter alterações visuais, e confusão mental”, explica o neurocirurgião do Hospital João XXIII Rodrigo Faleiro. Outros possíveis sintomas incluem náuseas e sonolência – porém, muitos idosos podem não perceber que estão passando por um derrame. Uma forma de detectar um AVC é pedir para o paciente sorrir: se o sorriso estiver torto, é um importante sinal.

O que fazer

Na ocorrência de um AVC, o atendimento deve ser imediato: assim como no infarto, a cada minuto sem socorro médico, as chances de recuperação diminuem. É fundamental diagnosticar o mais rápido possível que tipo de AVC o paciente teve, para se determinar o tratamento necessário. O ideal é que o atendimento seja feito em até 3 horas após os primeiros sintomas do evento. É importante também não oferecer nenhuma medicação para a vítima, como remédio para pressão ou diabetes. As formas de prevenção do AVC são as mesmas das doenças cardiovasculares.

 

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