Lixo na rua é criadouro potencial de dengue em Contagem

E-mail Imprimir
Foto Lucas PratesMoradores do bairro Industrial temem surto desta e de outras doenças após 13 dias de coleta precária de resíduos. Lixo que deixou de ser recolhido acumula água da chuva e atrai roedores e baratas

Pelo menos 12 dias de coleta de lixo precária fazem com que ruas do bairro Industrial, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), se transformem em criadouros potenciais do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Além de montes de resíduos, uma obra inacabada e até um galpão desativado preocupam moradores, em especial depois das chuvas do início de janeiro.

A população teme um surto da doença e de outros males, como a leptospirose – causada pelo contato com a urina de ratos. Os roedores são atraídos pela sujeira que deixou de ser recolhida adequadamente entre 31 de dezembro e 12 de janeiro.

De acordo com a Prefeitura de Contagem, a mudança das empresas responsáveis pela coleta de lixo no município deu origem ao problema. Na última quinta-feira, o serviço teria sido retomado, com prioridade para as vias principais. Até esta segunda-feira (16), porém, moradores do bairro Industrial garantiam que pilhas de lixo e entulho ainda se acumulavam em vários pontos.

Para piorar, um galpão abandonado, vizinho a um conjunto de prédios localizado entre as ruas Costa Capanema e Emaus e Thomaz Jefferson e avenida General David Sarnoff, acumula, no interior, água parada. Os edifícios são recém-inaugurados e têm apartamentos populares.

Segundo a síndica do bloco 37, Maria Tereza dos Santos, no fim de novembro a situação foi relatada às secretarias municipais de Habitação e Saúde e ao gabinete da prefeitura. Mas nada teria sido feito.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que uma equipe do departamento de Zoonoses visitou a rua Costa Capanema, mas não localizou qualquer galpão. No local, segundo o texto, foi encontrado apenas um canal com água parada junto à base do viaduto.

Os servidores da prefeitura teriam solicitado ao responsável pela obra que abrissem uma passagem para a água escoar, na tentativa de impedir o surgimento de focos do mosquito da dengue. Até esta segunda-feira (16), porém, nada havia sido feito, segundo Maria Tereza.

Os moradores do conjunto habitacional acusam a prefeitura e a construtora dos edifícios de descaso. “Se fosse em outro bairro, não teria ficado assim. Deixaram esse galpão de qualquer jeito. Além da água parada, cheia de larvas do mosquito da dengue, outro problema é que isso aqui pode virar ponto de encontro de marginais”, diz Maria Tereza.

Moradora do bloco mais próximo à rua Thomaz Jefferson, Eunice Coelho teme que o prédio seja “engolido” pela cratera que surgiu na via, após as chuvas. Segundo ela, quando os operários deixaram o canteiro de obras, a abertura para a canalização do córrego que passa sob a rua tinha menos de um metro de diâmetro. Quarenta dias depois, se transformou em um buraco com mais de cinco metros, que represa água nos dias de chuva quase até o nível do piso térreo.

“Isso aqui vira uma piscina de água escura. É perigoso porque qualquer um pode cair”, relata Eunice. Outro risco, afirma a moradora, é a transmissão de doenças. Além de ratos, baratas e escorpiões, uma obra abandonada, a cerca de 10 metros das residências, tem botas e capacetes com água, restos de material de construção e até de marmitas.

Para a moradora Andréia de Souza Brito, um surto de dengue nas imediações é muito provável. “A maior preocupação é com as crianças. Elas acabam brincando perto de ratos e baratas, porque a obra foi entregue, mas não está terminada”.

A Prefeitura de Contagem informou que o galpão é de responsabilidade da Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas, mas a informação não foi confirmada.
Fonte Jornal Hoje em Dia




 

Enquete

Qual o maior problema de Contagem na atualidade?