Falta de captação de águas pluviais ameaça uma série de imóveis na
cidade, abalando as estruturas. Infiltração na rua, sem rede de captação pluvial, teria causado
desabamentoA falta de rede de captação de águas pluviais ameaça uma série de imóveis no Bairro Industrial, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Sem bocas de lobo, a chuva, empossada em uma série de desníveis no asfalto, acaba infiltrando pelas bordas e rachaduras das vias, afetando muros e estruturas de casas. O problema é semelhante ao que também atingiu, nos últimos dias, bairros de Belo Horizonte, como o Caiçara e o Buritis, onde dois prédios desabaram neste mês.
Em Contagem, a infiltração provocada pela falta de rede acabou derrubando um muro, que caiu sobre a casa do autônomo Walter José de Arruda, de 57 anos, no dia 27 de dezembro. O imóvel fica na rua Carlos Chagas, 27, na terceira seção do bairro Industrial. Segundo o proprietário da casa – que fica abaixo do nível da rua –, por pouco a família não foi atingida. “Saímos de manhã, para a casa de parentes. De noite, o muro caiu sobre a parede do nosso quarto. Se tivéssemos esperado mais um dia, poderia ter acontecido uma tragédia”, conta.
De acordo com o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Minas Gerais (Crea-MG), o engenheiro Jobson Andrade, a lei brasileira determina que o empreendedor que urbanize as áreas ocupadas, construa a rede de captação de águas da chuva, esgoto e calçamento.
Segundo ele, é obrigação do governo municipal cobrar a infraestrutura necessária em cada local e fiscalizar as condições de urbanização. O município também pode fazer obras, se necessário. “Nada impede que a prefeitura construa a rede, se essa for a situação. O importante é que o morador não pode ficar desprotegido”, afirma.
Em nota, a Prefeitura de Contagem diz que não havia registro anterior de problemas no local. O comunicado aponta que “não se pode afirmar que a falta de redes de drenagem da referida via seja o fator preponderante para a queda do muro da casa”.
A nota assegura que tratam-se de lotes formais, e que, portanto, “é necessário verificar se o muro desta e das casas vizinhas foram projetados e construídos por profissionais habilitados, ou seja, por engenheiros civis com as devidas responsabilidades técnicas”.
O texto afirma queda do muro pode ter sido provocada por falhas no projeto ou na construção do muro. O dono do imóvel nega, e alega que só depois do asfaltamento da rua, há uma década, pela prefeitura, os problemas de infiltração começaram.
Fonte Jornal Hoje em Dia
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