Buracão ameaça o bairro Tupã e moradores estão revoltados

 Fotos Victor MachadoHá mais de 15 anos, os moradores do bairro Tupã, na Região da Vargem das Flores, vivem preocupados com um buraco que, aos poucos, vem "engolindo" o bairro. As casas localizadas na Avenida E, Travessa 16 de Junho e Rua 10 de Maio são as mais ameaçadas pela erosão que a cada período de chuvas aumenta e, apesar dos constantes pedidos de socorro, nada foi feito até agora pelo poder público.
A falta de fiscalização da Prefeitura dá, inclusive, margem para a ilegalidade, como uma casa que foi erguida dentro do buraco e que, sem iniciativa por parte da Administração Municipal, a qualquer momento pode protagonizar uma tragédia, com os moradores se tornando vítimas de um anunciado desabamento do morro.

Abandono
O que aumenta a revolta da população é o fato de que, em vez de uma solução definitiva, a Prefeitura toma medidas paliativas, como ocorreu no dia 15 fevereiro, quando um caminhão de terra foi jogado na entrada da Avenida E, para evitar o acesso de veículos. Fora isso, nenhum esforço tem sido feito para amenizar a preocupação de quem mora num bairro que está abandonado pelo poder público.
Para os moradores, os problemas do bairro são uma mistura de ações da natureza com a falta de manutenção e atenção por parte da Prefeitura. No caso do buracão, há promessa para sua transformação em um parque ecológico e uma praça, ações que inclusive foram aprovadas por meio do Orçamento Participativo - OP de 2005, no valor R$ 200mil.
Segundo o autônomo Antônio Borges, 53, que mora na Avenida E e vê o buraco se aproximar a cada dia mais de sua residência, existe muita promessa e pouca ação. "Aqui, a situação é de total esquecimento, pois se desde quando o bairro iniciou, tivessem dado a devida atenção para este buraco, hoje não estaria assim, sem contar que a rua ficava a uns 30 a 40 metros para frente de onde está hoje", colocou Antônio.
Também a dona de casa, Maria Gomes Lopes, 68, que há 19 anos mora no bairro, engrossa o coro da decepção com o abandono que a Prefeitura relegou o Tupã. "O buraco não era deste tamanho, mas veio crescendo, assim como outros problemas. A falta de respeito da Prefeitura com nosso bairro é uma calamidade", reforçou Maria.
Para Ana Ferreira, 46, a definição da situação do Tupã é, mesmo, o descaso do poder público. "Moro, aqui há 20 anos, e neste tempo todo, tanto em relação ao buracão, quanto a outros vários problemas, a Prefeitura finge ou não quer ver, mas sabe que eles existem, por isso estamos indignados", opinou Ana.

Gritos do silêncio
Com o bairro completamente isolado da área urbana da cidade, e sem representante no Legislativo, por mais que gritem, as vozes dos moradores parece não alcançar os ouvidos do poder público, e, com isto, a comunidade não consegue ter seus anseios resolvidos. O Folha de Contagem na edição 665 - de 23 a 29/09/2011 trouxe, na reportagem "Drama do OP se repete na Vargem das Flores", a situação do bairro Tupã que foi agraciado duas vezes no processo de 2005, mas nada aconteceu.
Na época o Tupã conquistou, junto com o bairro Ouro Branco, a aprovação da construção da praça, no valor de R$ 220 mil, e que seria construída justamente na área do buracão. Segundo conselheiros  do OP/2009, que participaram da reportagem, apesar da escolha da população, foi colocado pela Prefeitura, que a pavimentação das ruas se fazia muito mais necessário do que a construção de uma praça. No entanto, o que se pode verificar hoje, é que o bairro ficou sem praça, o buracão só aumenta e a pavimentação dos bairros foi ineficiente.

Opção forçada

Ainda de acordo com a reportagem, através de entendimentos entre as lideranças, os moradores do Ouro Branco até aceitaram abrir mão da parte do investimento deles, que seria repassada para o Tupã, porque não tinha como a obra ser realizada no bairro. A decisão foi a de que, ou o dinheiro voltava para o Ouro Branco ou se aplicava em outra obra.
A população decidiu pela pavimentação, pois assim ficou determinado pelos organizadores do OP, sem qualquer justificativa. Ou aceitavam a pavimentação ou perderiam o investimento. O resultado foi a pavimentação apenas de um pedaço da Avenida N, o que gerou muita revolta aos moradores. No entanto, até hoje, a pista não foi inaugurada pela prefeita Marília Campos.
Não bastasse isto, o Tupã voltou a ser contemplado, no OP/2009 com a construção de um posto do Programa Saúde da Família - PSF, no terreno da Escola Municipal Hilda Nunes dos Santos, obra orçada em R$ 367 mil. Mas até a realização desta reportagem, no local o que se vê é apenas mato. Ao invés do novo posto, a Prefeitura promoveu uma  reforma no antigo espaço onde já funcionava o PSF.
 

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