Comissão da ALMG cobra solução de suposta dupla execução que teria envolvimento de policiais do GRE

FOTO GUILHERME BERGAMINI Audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, requerida pelo deputado Durval Ângelo (PT), discutiu, nesta quarta-feira (13/07), a suspeita de que dois homens teriam sido mortos por policiais do Grupo de Resposta Especial da Polícia Civil – GRE, no mesmo sítio em que Elisa Samúdio, ex-amante do goleiro Bruno, teria sido assassinada. Segundo as informações repassadas à Comissão, o ex-policial Marcos Aparecido de Souza, o Bola, acusado de executar Elisa e que era dono do sítio, em Esmeraldas, também teria envolvimento com a morte de Paulo César Ferreira e Marildo Dias de Moura, em maio de 2008. À época, ele já havia sido expulso da polícia, mas se passava por policial do GRE e seu sítio era utilizado como centro de treinamento do grupo de elite.

A primeira denúncia do envolvimento de policiais do GRE com extermínio de pessoas foi feita em maio de 2009, por um inspetor que havia sido coordenador do grupo, Júlio César Monteiro, irmão do Chefe de Polícia Civil, Marco Antônio Monteiro. Em novembro de 2009, parentes de Paulo e Marildo procuraram a Comissão de Direitos Humanos para denunciar o suposto envolvimento de policiais do GRE com o desaparecimento dos dois. Eles teriam sido detidos por cinco policiais do Grupo e levados para o presídio de Sete Lagoas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No entanto, os presos teriam sido recusados por agentes do presídio, uma vez que não havia uma ocorrência policial. Os policiais teriam retornado com os dois rapazes para a viatura, depois disso, a família não teve mais notícias. Testemunhos à Comissão de Direitos Humanos e denúncias anônimas de moradores dos arredores do sítio em Esmeraldas dão conta de que os dois foram torturados, mordidos por cães, assassinados, esquartejados e depois enterrados no local.

Textemunha-chave

Um ex-detento do presídio de Sete Lagoas, testemunha importante nas apurações, também foi ouvido na audiência pública da Comissão. Encapuzado, para não ser reconhecido, disse que conhecia Paulo e Marildo e presenciou, quando os policiais do GRE chegaram com eles ao presídio e depois retornaram com os dois para a viatura. O rapaz, que chegou a ser ouvido pela Ouvidoria de Polícia no ano passado, contou que foi seguido, após depor, e que somente agora, com a repercussão do assassinato de Elisa Samúdio, pôde identificar quem o seguiu. “Eu acabei de ter certeza que a mesma pessoa que estava do outro lado da avenida observando a gente, depois que fui depor na ouvidoria, era o Bola, que estava na foto do jornal”, disse.

O grande questionamento feito na audiência pública foi porque não houve, ainda, a conclusão das investigações sobre o suposto assassinato dos dois rapazes. Foi também questionado porque a primeira denúncia chegou ao conhecimento da Corregedoria de Polícia Civil em maio de 2009 e somente em novembro daquele ano foi aberto o inquérito. O deputado Durval Ângelo creditou a demora à influência dos policiais do GRE. “A Corregedoria da Polícia Civil teve um grande avanço nos últimos tempos, mas o GRE é uma tropa de elite na qual as pessoas selecionadas têm uma rede muito grande de influência dentro da polícia, o que acaba dificultando as investigações”, disse.

O deputado também lamentou que nenhuma das providências pedidas pela Comissão, ainda em 2009, tivesse sido atendida. “Solicitamos, em junho do ano passado, a expulsão do pessoal e prisão dos envolvidos, e a própria extinção do GRE. Nenhuma das solicitações da Comissão foi atendida”. Ele voltou a defender a extinção do GRE, alegando não fazer sentido a Polícia Civil ter um grupo especial de policiamento ostensivo, uma vez que esta não seria função da instituição, já que é polícia judiciária.

O ouvidor de Polícia, Paulo Alckmin afirmou que o órgão ouviu as testemunhas encaminhadas pela Comissão de Direitos Humanos, em novembro de 2009 e encaminhou à Corregedoria para que desse prosseguimento às apurações. Ele se disse convencido de que houve a execução dos dois rapazes: “Várias das testemunhas já falavam neste suposto assassinato. Também vislumbramos ameaça e coação de testemunhas por parte de um dos envolvidos”.

Inquérito demorou seis meses para ser instalado


Já o promotor de Direitos Humanos Rodrigo Filgueira questionou que somente em novembro de 2009 o caso tenha sido transformado em inquérito e, mesmo assim, porque houve a requisição do Ministério Público. “Indaguei sobre isso no Colegiado das Corregedorias. Tive a resposta de que estavam buscando mais elementos, uma vez que seria um caso complexo. Seria uma briga interna e estavam buscando mais credibilidade. Mas, a partir do momento que o irmão do Chefe de Polícia faz uma denúncia, ela merece um crédito”, afirmou. Ele também questionou questões referentes à coordenação GRE: “Me causa estranheza um grupo de elite ter sido chefiado por um inspetor de polícia e não por um delegado, como hoje é”, disse.

O corregedor de Polícia Civil, Geraldo Morais, disse que os fatos teriam ocorrido em maio de 2008 e somente em maio 2009 chegaram ao conhecimento da corregedoria. Segundo ele, neste intervalo de tempo, podem ter se perdido vestígios, indícios ou provas concretas do suposto crime. Sobre o fato de o inquérito somente ter sido instalado em novembro, o corregedor afirmou que tinha poucos elementos sobre o ocorrido. “A denúncia dizia apenas que duas pessoas haviam sido assassinadas. Não tínhamos nem por onde começar. Então, foi feito todo um cruzamento de dados, um trabalho de inteligência, para se identificar essas possíveis vítimas. A primeira denúncia citava a participação de algumas pessoas, mas precisávamos de uma justa causa para abrir esse inquérito”. Geraldo Morais afirmou que a investigação continua, mas é complexa e várias providências sigilosas estão sendo tomadas.

Resposta - Uma carta de policiais do GRE foi encaminhada à Comissão de Direitos Humanos e lida pelo deputado Durval Ângelo. Os policiais defendem a manutenção do grupo e consideram que a sua extinção representaria um retrocesso. Eles também criticam a atuação da imprensa, afirmando que as informações divulgadas ligam os policiais do GRE aos crimes, sem que as investigações e processos judiciais tenham sido concluídos. Outra crítica foi de que estaria havendo uma generalização na abordagem da imprensa, que acabaria por constranger todos os policiais do grupo.








 

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