Chuvas provocam acidentes e mortes na RMBH

Foto ReproduçãoChoveu nesta quarta-feira (3) o equivalente a 15 dias

Inundações, tráfego paralisado, desabamentos, acidentes provocados pela má visibilidade e pelas pistas molhadas. Este foi o panorama vivido nesta quarta-feira (3)por grande parte da população da Região Metropolitana de Belo Horizonte, especialmente na capital, com as chuvas que atingiram vários municípios. Duas pessoas morreram em dois acidentes e o Anel Rodoviário chegou a ficar interditado, por mais de 40 minutos, com as águas que tomaram conta das pistas, nos dois sentidos, no Bairro Caiçara, Noroeste de Belo Horizonte.

Da noite de terça-feira (2) ao meio-dia desta quarta-feira (3), o Instituto Nacional de Meteorologia calculou 74 milímetros de chuva na capital e Grande BH. O meteorologista Ruibran dos Reis, do Minas Tempo, disse que nesta quarta (3), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, choveu o suficiente para 15 dias. Ele não forneceu índices pluviométricos. A chuva deve continuar até o final de semana.

As duas mortes aconteceram em rodovias federais da Grande BH. O primeiro acidente foi na BR-040, BH-Rio, em Nova Lima, que foi coberta por uma densa neblina, onde Roberto Márcio de Moura, 52 anos, dirigia o seu automóvel Gol placa HGG-4136, de BH, no sentido capital-Congonhas. Ao chegar em uma reta, sob chuva forte, o veículo passou em um trecho onde o asfalto estava coberto de água. Desgovernado, o carro saiu da pista e bateu em uma árvore, provocando a morte imediata do motorista. O outro acidente foi igual. No quilômetro 427 da BR-381, BH-Vitória, Samuel Silva Massagardi, 34 anos, dirigia um caminhão que saiu da pista e caiu em uma ribanceira, matando o motorista.

Segundo o Corpo de Bombeiros, durante o temporal foram registrados 19 casos de riscos de desabamento, seis de quedas de árvores - uma delas na Avenida do Contorno, no Bairro Santo Antônio, Centro-Sul - além de 23 de alagamentos na capital e na Região Metropolitana.

Interdição na BR-381 para obras
Na BR-381, sentido Espírito Santo, o trevo que dá acesso para Santa Luzia poderá ter parte de suas pistas interditadas, nesta semana, para que o Dnit realize obras de recuperação da estrutura do viaduto por causa de afundamentos da pista que teriam sido provocados pelas chuvas. Nesta quarta-feira (3), o tráfego de veículos no local, nos dois sentidos, era normal.

O tráfego foi interrompido nesta quarta (3), nos dois sentidos, no Anel Rodoviário, no Bairro Caiçara, em função da chuva. Perto do cruzamento da rodovia com a Avenida Carlos Luz, o técnico em edificações Wewerton Nascimento tentou passar com o seu automóvel Escort GPL-7242, que parou de funcionar e quase foi coberto pelas águas, obrigando o motorista a ficar sobre a capota, de onde chegou a cair quando tentava escapar das águas. “Eu tentei passar, mas acabei entrando no lugar onde a água estava mais alta e o motor parou”, contou.

No campus da UFMG, um bueiro entupido provocou uma grande inundação na Avenida Reitor Mendes Pimentel, onde boiaram 30 automóveis de estudantes. Um deles, Vinícius Bortolussi Roman, teve o seu Gol jogado sobre o canteiro central da avenida, sem danos aparentes. “O meu carro estava ao lado do bueiro entupido e, por isto, foi tirado do lugar de onde estava e jogado sobre o canteiro. Ainda bem que tenho seguro”. A assessoria de imprensa da UFMG anunciou que as obras que estão sendo realizadas em uma área da universidade, no Bairro Caiçara, devem corrigir o problema e evitar futuras cheias.

A chuva contínua e a falta de visibilidade prejudicaram as partidas e chegadas nos aeroportos da Pampulha e de Confins. No primeiro, as operações ficaram suspensas do fim da noite de terça-feira até às 7h15 desta quarta-feira (3), com seis partidas e nove chegadas com atrasos. Em Confins, as operações na manhã desta quarta (3)eram realizadas por instrumentos e de 45 voos programados pela manhã 14 sofreram atrasos.

Na Avenida Teresa Cristina, entre as regiões Oeste e Barreiro, em BH, e parte vizinha Contagem, o Ribeirão Arrudas transbordou em diversos pontos, chegando a invadir casas e a deslocar veículos em tráfego ou estacionados.

Contagem
Na altura do Bairro Industrial, o nível do ribeirão chegou a um metro acima da canalização e do pavimento da avenida. Os barracos da pequena vila que fica às margens da avenida foram inundados. Uma igreja evangélica ficou parcialmente submersa, sofrendo danos em vários móveis e objetos usados nos cultos. A casa da aposentada Vicentina Pereira Braga foi invadida e o muro do seu portão de entrada não resistiu à água que represou e acabou cedendo. Mesas e outros móveis foram perdidos. “Meus dois netos, de 3 e de 6 anos, não puderam sair de casa para irem à aula. Aqui é sempre assim. O céu fica preto, vem a chuva e a gente começa a luta toda de novo”, desabafou.

Em frente às casas da vila, a Avenida Teresa Cristina ficou coberta por lama mau cheirosa do ribeirão poluído e moradores se puseram a limpar tudo com rodos, vassouras e enxadas. Um ônibus chegou a ser ameaçado, mas acabou não sendo arrebatado pela força da correnteza.

Desesperado, o despachante Moacir Gonçalves da Rocha, 36 anos, viu seu carro sendo arrastado e o amarrou com uma corda num poste para que as águas não o carregassem para dentro do leito do rio que ficava alguns metros à frente. “Na hora, foi o que deu para fazer. Agora, tenho de ver se ele ainda funciona”.

Fonte Jornal Hoje em Dia






 

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